salvem os beija-flores

batendo por querer

Eu acho engraçado como esse pessoal da TV Globo ficou todo escandalizado com esse negócio do Nelsinho Piquet ter batido o carro para ajudar a equipe dele a vencer uma corrida. Que aquilo era uma atitude antiesportiva e tudo o mais. Bem, em primeiro lugar, o automobilismo não é um esporte. Pelo menos, a Fórmula 1 não é. Se fosse, ela estaria nas Olimpíadas, não estaria? Além do mais, onde já se viu chamar de esporte uma coisa que a gente faz de carro? Quer dizer que se eu pegar meu carro e sair dirigindo em volta da Praça São Bento, eu posso dizer que estou fazendo um esporte? Não, a Fórmula 1 não é um esporte. Ela é um negócio, com horários exclusivos vendidos para as TV’s, contratos com os fabricantes de motores e, sobretudo, patrocinadores. É dinheiro para dar com pau. O piloto de Fórmula 1, com todos aqueles logotipos espalhados pelo macacão e pelo capacete, se parece mais com uma página de revista do que, propriamente, com um ser humano. Então, com essa grana toda envolvida, no meio de uma corrida, o Nelsinho Piquet fica sabendo que, se bater o carro sem oferecer perigo para ninguém, não apenas a equipe dele pode ganhar o campeonato como ele mesmo garante o emprego por mais uns tempos. Oras, o Ayrton Senna, aclamado como uns dos maiores heróis nacionais, fez muito pior quando jogou o Allan Prost para fora da pista para ganhar um campeonato. E o Schumacher fez a mesma coisa uns anos depois, quando bateu no carro do Damon Hill. Perto desses caras, o Nelsinho é um pobre coitado, que só seguiu as ordens do chefe. Esse escândalo todo que estão fazendo em torno desse caso é de uma hipocrisia sem tamanho. Se a TV Globo fizesse tanto barulho por causa de outros escândalos que a gente vê por aí, talvez o Brasil estivesse um pouco melhor das pernas. 

 

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