Até os efeitos especiais morrem

É um mundo esquisito esse em que a gente vive, desde que inventaram o cinema, a televisão e essas coisas todas. A gente acaba ficando íntimo de pessoas que a gente nunca conheceu. Algumas delas, aliás, nem gente são. São personagens. Eu me lembro de ter ficado morrendo de saudade, por exemplo, do Prefeito Odorico Paraguaçu, daquela novela “O Bem-Amado”, que depois virou série e ficou uns bons anos no ar. E, de repente, “O Bem-Amado” acabou. Tudo bem. O Paulo Gracindo ainda estava lá, fazendo outras novelas, assim como os outros atores da série. O Lima Duarte. O Jardel Filho. Mas não era a mesma coisa. Eu sentia saudade mesmo era dos personagens, e daquela cidade que eles viviam, como era o nome mesmo? Sucupira? E, do mesmo jeito do Odorico, outros personagens e atores foram entrando e sumindo da minha vida. O Fox Mulder, do “Arquivo X”. O Macgyver. E a família Robinson, do “Perdidos no Espaço”, junto com o Dr. Smith e aquele robô malucaço. Estou lembrando disso tudo, é claro, porque, nesta última quinta-feira, morreram o Michael Jackson e, meio que encoberta pela morte do “maior astro pop de todos os tempos”, também morreu a Farrah Fawcett, aquela loiraça que fez a primeira série “As Panteras” na TV. Não sei se você se lembra dela, mas eu já tive até um pôster daquele mulherão na parede do meu quarto, quando eu tinha aí, os meus dezesseis anos. E agora, puff, os dois morreram. E morreram de verdade. Se bem que a “verdade”, nesses nossos tempos, não significa muita coisa. Para ser sincero, houve uma época em que eu até duvidava que a Farrah Fawcett existisse. Eu imaginava que ela poderia ser assim, uma espécie de boneca inflável, animada por efeitos especiais.

Do Michael Jackson então, nem se fale.

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]