Quinta-feira passada, morreu o Kung Fu. Quer dizer, não morreu assim, a filosofia Kung Fu, que já tem aí mais de três mil anos de idade e não deve morrer tão cedo. Não. Quem morreu foi o ator David Carradine, famoso por seu papel na série de televisão chamada “Kung Fu”. Para quem não é daquela época, o ator também fez o papel de “Bill”, naqueles dois filmes “Kill Bill”, do Quentin Tarantino. Mas o papel que marcou mesmo o Carradine foi aquele Kung Fu. A série com o herói fez tanto sucesso que ele virou até um desses bonequinhos articulados, e foi por vários anos o brinquedo preferido da molecada. Sei que, com o tempo, estou vendo todos meus heróis morrendo que nem aqueles patinhos em barracas de tiro-ao-alvo dos parques de diversão. E, quando não morrem, resolvem fazer uma biografia contando a “verdade” por trás deles, o que, de certa maneira, é ainda pior. Foi assim que a gente ficou sabendo, por exemplo, que o Che Guevara não era tão herói assim, e que para mandar um inimigo para o fuzilamento não precisava muito mais do que uma pisada no seu pé. Ou até mesmo o Lula, que já esteve sim na minha lista de heróis, e que no final mostrou-se até um bom político, mas não muito mais do que isso. Até o Super-Homem, vejam vocês, morreu uma vez numa dessas histórias, mas houve tanta pressão por parte dos leitores que acabaram ressuscitando o cara. E fizeram muito bem. Heróis não deviam morrer. A vida se torna meio insuportável sem eles.
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