No tempo dos índios é que era bom. O índio saía de casa, passava o dia inteiro caçando (coisa, aliás, que o meu avô fazia para se divertir), e quando voltava para a casa com um javali nos ombros, era saudado como herói. As mulheres faziam festa, os mais velhos já preparavam as bebidas, as indiazinhas vinham se chegando, e era uma noite só de comemoração. Depois disso, o índio podia passar aí uns bons dias sem fazer nada. E, ainda por cima, era cumprimentado com entusiasmo por todo lugar que fosse como o Grande Provedor da Tribo dos Homens, ou coisa parecida. Agora, veja só hoje em dia. Ninguém agradece nada do que a gente faz. A gente acorda de manhã e vai trabalhar na droga de um lugar mal arejado, encontra um monte de gente mal humorada, nunca dá tempo de fazer tudo o que tinha para fazer, a gente chega em casa completamente estressado, e alguém agradece a gente? Ninguém. E tem aqueles que, ainda por cima, dizem que a gente não fez mais do que a obrigação. Tudo bem. Até é obrigação mesmo. Mas não era obrigação para a droga do índio arrumar comida para o pessoal comer também? A verdade é que na hora de criticar, tá assim de gente. Mas na hora de fazer um elogiozinho, só se você tiver morrido. E olhe lá, hem?
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