atchim!

Antes de mais nada, eu sou jornalista. Entre todas as profissões que eu já trabalhei na vida, jornalismo foi a única que eu exerci ali, de papel passado, com diploma e tudo. E tem mais. Alguns dos meus maiores ídolos são jornalistas. O grande Hunter S.Thompson, que inventou o estilo gonzo de escrever reportagens, misturando ficção e realidade, e se matou com um tiro na cabeça, deixando um pedido para que suas cinzas fossem espalhadas por um tiro de canhão. Um grande cara. Outro jornalista que admiro muito é o Nelson Rodrigues. E tantos outros. O Machado de Assis. O Monteiro Lobato. Então, com tanta gente boa assim, o jornalismo é uma profissão que a gente tem de respeitar. Mas tem hora que fica difícil. Vejam vocês esse negócio aí, da Gripe Suína. Você pode ligar a televisão, em qualquer canal, que não passa nem dez minutos para algum jornalista começar a falar da Gripe Suína e a mostrar imagens dos mexicanos andando de máscaras pela cidade. E começam a passar tabelas dos sintomas, e das coisas que a gente tem que fazer para se proteger da doença, que está matando um atrás do outro, e já entrou nos Estados Unidos, na Europa e em praticamente todos os lugares do mundo. Quer dizer, a gente ouve esses jornalistas e realmente entra em pânico. Tem um amigo meu, dentista, que foi comprar dessas máscaras de colocar no rosto, como ele faz toda semana para exercer a profissão dele. E cadê as máscaras? Tinha esgotado! E isso aqui mesmo, em Votuporanga! Tudo bem. Eu até sei que esse negócio da gripe é coisa séria. Mas que tem hora que esse povo da imprensa exagera um pouco, isso exagera..

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