Você pode não acreditar mas, antigamente, todo homem usava bolsa. E não faz muito tempo não. Isso é coisa de vinte, vinte e cinco anos atrás. Tinha os meio hippies, que usavam uma bolsa mais ousada, cheia de bottons escrito “Paz e Amor” e coisas parecidas. Mas nossos pais e avós também usavam bolsas. Eram bolsas mais sociais, de couro preto ou marrom, que brilhavam como sapatos recém-engraxados. Mas, o que todo mundo tinha em comum era que ninguém conseguia imaginar sua vida sem uma bolsa. A gente carregava nossa vida ali. Então, de repente, a moda das bolsas passou. Primeiro, viraram pochetes, dessas de amarrar na cinta. Depois, nem isso. As bolsas evaporaram-se. E agora, eu me pergunto: e todas aquelas coisas que a gente carregava e que eram imprescindíveis para nossas vidas? Onde é que estão? Eu, da minha parte, não sinto falta alguma delas, e hoje passo muito bem apenas com uma carteira no bolso de trás da calça. Por causa disso tudo, andei pensando em todas essas tranqueiras que a gente acha que não dá para passar sem nos dias de hoje. Será que não dá mesmo? Será que não dá para viver sem um celular de última geração? Será que não dá para viver sem uma televisão LCD 42 polegadas? Será, meu deus do céu, que não dá para ficar sem internet banda larga por uns meses? Sei lá. Eu acho que a gente não precisa de tanta coisa assim. Como dizia um amigo meu, a gente nasceu pelado. Se estamos vestidos, já estamos no lucro.
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