Quando eu falava que a vida era um inferno, não era exatamente isso que eu estava querendo dizer. Mas serve. Meu deus do céu. Que calor que anda fazendo. Só para você ver uma coisa, outro dia desses eu fui fazer uma mamadeira pro meu neto e o leite acabou fervendo. Então, eu coloquei a leiteira em cima da pia para ele esfriar um pouco. De vez em quando, eu ia lá, pegava uma colher, colocava um pouquinho de leite no meu pulso para ver se já estava no ponto. E nada. Passou mais ou menos umas duas horas, e eu desisti. A impressão que eu tinha era que o leite ali, deixado à temperatura ambiente, estava mais era esquentando. Acabei por enfiar a caneca no freezer e, enquanto esperava, cogitei seriamente em pegar meu travesseiro e entrar ali dentro também. Mas, pior que essa quentura toda, é ter de aguentar todo mundo que entra no escritório reclamando do calor. Não sei se é falta de assunto, ou o que é. Mas não tem um que não entre por aquela maldita porta e não comece a conversa com um “- Mas que calor está fazendo lá fora!”. Outro dia desses eu não aguentei. Foi uma vendedora entrar e reclamar do calor que eu respondi assim, de bate pronto “- Ué, aqui a gente não está sentindo não, será que não é você que está na menopausa?”. E esse é mais um dos problemas do calor. A gente fica extremamente irritado. Não sei se existe alguma pesquisa a respeito, mas eu aposto que no verão o número de agressões deve aumentar pra caramba. Tanto é que, quando alguém pensou num lugar onde todos os pecados da humanidade seriam devidamente penitenciados, imaginou um lugar com lava de vulcão e muito óleo fervente. Um lugar extremamente quente. Um verdadeiro inferno.
Eu andei pensando, e imaginei algumas hipóteses sobre o apagão dessa semana. A hipótese número um é que foram OS ESTADOS UNIDOS. Os Estados Unidos, como é de conhecimento de todo o planeta, estão vivendo uma baita crise financeira e de identidade. Seu poder sobre o mundo está diminuindo quase tão rapidamente quanto o extrato bancário dos seus contribuintes. E, para ajudar, os Estados Unidos perderam a disputa pelas Olimpíadas para o… Brasil! Existe, então, a possibilidade de que seus aliados tenham espalhado bombas em alguns pontos do sistema elétrico brasileiro para divulgar pelo tweeter que o Brasil não tem condições técnicas para uma competição desse naipe.Hipótese número dois. FOI O JOSÉ SERRA Tudo bem. O Serra está aparecendo em primeiro lugar com folga em todas as pesquisas sobre a intenção de voto para presidente. Mas ele é um homem esquisito. Ele fez aquela lei anti-fumo, passando por cima da constituição e dos nossos direitos individuais. Quer dizer, o homem acha que pode salvar o país. Então, existe a hipótese de que seus aliados tenham espalhado bombas em alguns pontos do sistema elétrico brasileiro para dizer que o governo Lula não deu a atenção necessária para nosso sistema elétrico. Aliás, eu já até ouvi umas conversas sobre isso. E a hipótese número três é a seguinte. Dizem que, no dia do apagão, quando os funcionários de Itaipu estavam saindo, gritaram para o estagiário lá dentro: – Quando sair, apaga a luz!
Nada contra a evolução e a modernização das coisas. Muito pelo contrário. Acho que a modernização fez o mundo ficar bem melhor do que era. Eu fico tentando imaginar, por exemplo, como era o mundo antes da invenção da geladeira. Antes da geladeira, onde é que eles guardavam a compra do mês? E a carne que sobrou do almoço, o que é que eles faziam com ela? E a cerveja, meu deus do céu, e a cerveja? No entanto, a geladeira foi inventada há pouco mais de 150 anos e, hoje em dia, ninguém mais sabe viver sem ela. Só que tem umas modernidades que, ao mesmo tempo em que resolveram um problema, arrumaram outro. Veja só aí o problema de uma coisa simples como a água. Quando eu nasci, na casa dos meus pais tinha daqueles filtros de barro, que a gente enchia de água da torneira mesmo, e ela saía de lá já filtrada e sempre fresquinha. A água simplesmente não acabava. Mas hoje, com esse negócio da gente comprar água nesses galões azuis, a coisa se tornou um problema. Nesse último feriadão, por exemplo, com aquele calor todo, a água em casa acabou e simplesmente não tinha uma droga de lugar aberto na cidade inteira para eu comprar um galão. Tive que comprar umas dez garrafas de água mineral para abastecer a família, o que, se não ficou uma fortuna, já daria aí para comprar pelo menos uma boa pizza. Sei lá. Acho que até a evolução tem limites, viu.
Vai chegar uma hora que a coisa vai virar uma festa só. Veja você aí o caso do Natal. O Natal, para quem ainda se lembra, acontece no dia vinte e cinco de dezembro. Repare bem. Eu disse VINTE E CINCO DE DEZEMBRO. Nem mais, nem menos. Tudo bem. Quando eu nasci, já era tradição que a festa de Natal acontecesse no dia vinte e quatro. Mas, até aí, era a véspera da festa mesmo, não ia fazer muita diferença. Acontece que, de uns tempos para cá, o povo está exagerando. A gente começa a ver enfeite de Natal cada ano mais cedo. Eu mesmo já encontrei aí, na cidade, umas duas ou três casas já todas enfeitadas com aquelas lâmpadazinhas. E as lojas também, já estão partindo para a ofensiva, cobrindo suas vitrines com árvores e faixas desejando “boas festas”. Mas, meu deus do céu. Não é muito cedo não? Nós nem chegamos ao final de OUTUBRO, gente! Mas isso não é nada quando a gente pára para pensar no Carnaval. O Carnaval, como todo mundo também deve se lembrar, dura apenas quatro dias. Pode perguntar aí, para qualquer criança de dez anos. O Carnaval acontece no sábado, no domingo, na segunda, na terça. E pronto, acabou. Mas aí alguém resolveu que na sexta-feira à noite ninguém tinha nada para fazer, então porque não começar a farra logo de uma vez? E o Carnaval passou a ter cinco dias. Depois, como a coisa começou a dar certo para o turismo, em algumas cidades eles passaram a embalar a festa pela semana seguinte, enforcando a quarta-feira de cinzas, a quinta, a sexta e entrando pelo sábado e o domingo. Então uma festa que, em suas origens, tinha só quatro dias, passou a ter dez, e isso sem contar o sucesso desses Carnavais fora de época, como o Carnavotu. Eu te falo uma coisa. Eu já ando até com saudades do tempo em que eu trabalhava... É isso aí gente. Bom Carnavotu pra todo mundo e, aos sobreviventes, até sábado que vem!
Sei lá. Eu acho bastante estranho que, bem agora, menos de um mês depois da Olimpíada ter sido dada assim, de presente para o Brasil e para o Lula fazer campanha eleitoral, os traficantes das favelas do Rio de Janeiro resolvam se revoltar desse jeito.Saiu até no New York Times, gente... Não que não merecesse. A coisa foi mesmo feia. Parecia um filme do Sylvester Stallone. Caiu até um helicóptero matando todos os ocupantes. Foi um tal de gente correndo dos tiros de metralhadoras. Comerciantes fechando as portas. Estudantes sendo trancados nas escolas. Granadas. Balas perdidas. Se não me engano, tinha até mísseis na jogada. Um verdadeiro videogame. Aliás, foi lançado, ainda outro dia desses, um videogame violentíssimo chamado “Modern Warfare 2” que vai retratar exatamente isso. Ele terá uma favela carioca como parte do cenário do jogo, e o jogador controlará com seus joysticks alguns atiradores de elite de um exército de mercenários assassinos. Com direito, inclusive, a pilotar helicópteros e disparar mísseis. Agora, vem cá. Não é muito esquisito o lançamento desse jogo acontecer exatamente nesse momento tão delicado para o Brasil? Eu nunca fui muito chegado nessas teorias de conspiração, embora não descarte totalmente a possibilidade de ter o corpo de algum ET mergulhado em formol, escondido num galpão do exército americano, ou que o Presidente Kennedy tenha sido morto por algum guarda-costas do Nixon. Mas que parece que tem alguém muito poderoso por aí tentando secar a Olimpíada de 2016, isso parece.
Depois de ter mostrado um baita de um cartão vermelho para o José Sarney, na época em que ainda se discutia se o Sarney devia ou não continuar senador depois de arrumar emprego lá para uma dúzia de parentes, agora o Eduardo Suplicy desfilou de cuecas vermelhas pelos corredores do senado. Tudo bem. Até aí, ninguém tem nada com a cor das cuecas do Suplicy. Mas acontece que Suplicy resolveu usar as cuecas por cima das calças. É, isso mesmo. Por cima das calças. A Sabrina Sato, do “Pânico”, disse para o Suplicy que ele podia ser considerado um super-herói por ser autor do projeto que deu origem à lei da renda básica. E se ele não topava colocar uma sunga igual à do Super-Homem. E o Suplicy topou. Agora, todo mundo está caindo de pau em cima dele, dizendo que ele quebrou o decoro parlamentar, e já tem um monte de senadores querendo sua cabeça. Olha, eu não sei de vocês. Mas eu estou ao lado do Suplicy e não abro. Para começar, se a Sabrina Sato me pedisse para desfilar com uma camisa do Palmeiras na frente da Gaviões da Fiel, eu desfilava sem nem pestanejar. Por outro lado, quanto ao lance do decoro parlamentar, oras, vamos ser sinceros. O que é que esse bando de político entende de decoro parlamentar? Eles são é muito cara de pau. O Suplicy, pelo menos, sempre esteve envolvido na luta pelos direitos humanos, pela renda mínima. Por mim, o Suplicy pode sai por aí de cueca samba-canção, de terno ou até pelado. Não tem ninguém naquele senado que tenha altura suficiente para roçar os seus calcanhares.
Acho que nunca tive tanto orgulho da minha filha quanto estou tendo agora. Minha filha resolveu ser palhaça. É, palhaça. Ou "clown", como eles chamam os palhaços hoje em dia.
Quando minha filha era pequena, eu, como todos os pais, às vezes ficava um tempão olhando para ela, imaginando o que aquela menininha ia querer ser quando crescesse. De vez em quando até me dava vontade de fazer a clássica pergunta "-E aí, o que você vai ser quando crescer?", mas eu nunca perguntei, até mesmo porque eu mesmo, até hoje, não me resolvi direito a respeito do meu próprio futuro. Mas quando eu ficava ali, olhando para ela, ainda no berço ou já dando os primeiros passos, não conseguia deixar de imaginá-la nas mais diversas profissões. De vez em quando, eu imaginava ela uma arquiteta. É, uma arquiteta seria uma boa. Já imaginou? Minha filha construindo lugares onde as pessoas iriam viver, se amar, se confraternizar. Mas, de vez em quando, olhando algumas construções que já foram feitas, como a do Congresso Nacional, em Brasília, achava que minha filha poderia se frustrar bastante com o uso que poderiam fazer de seus belos projetos. E aí eu imaginava minha filhota sendo uma médica. Porque não? A medicina é uma profissão das mais honradas. Dessas que os pais da gente, e os pais dos pais da gente, sempre sonharam para seus filhos escolherem. No entanto, a medicina é uma profissão ingrata. Qualquer vitória que você obtenha, seja ela um nariz um pouco mais arrebitado, ou até mesmo um coração recauchutado, uma hora ou outra você acabará derrotado, e sua obra, ou seu paciente, repousará eternamente sete palmos abaixo da terra. E também não vou mentir aqui para vocês que, volta e meia, também não sonhava com a possibilidade da minha filha seguir a carreira do pai. Já pensou, uma filha escritora? Mas, do jeito que as coisas andam, com essa molecada cada dia lendo menos e pior, não sei também se seria lá uma grande opção para ela.
E foi assim até que, outro dia desses, ela começou a fazer um curso de palhaço. Todo dia ela chegava em casa com uma novidade. Um dia, um número novo de malabarismo. No outro, mágica. Depois, festival de piadas. Dia desses mesmo, ela foi com um grupo para o Hospital do Câncer de Barretos, brincar de “Doutores da Alegria” com a molecada que está lá, internada. Disse que as crianças adoraram. E até os pais delas se animaram um pouco com aquela palhaçada toda.
Fala a verdade. É para ter orgulho dessa filha ou não é?
Tudo bem. Eu até entendo essa euforia toda por causa desse negócio do Brasil sediar as Olimpíadas de 2016. Aliás, o Brasil não. As Olimpíadas, diferente da Copa do Mundo de Futebol, são sediadas numa cidade, não num país. E as minhas encanações já começam por aí. Por quê? Se numa Olimpíada eles juntam absolutamente todos os tipos de jogos conhecidos e a Copa do Mundo de Futebol é um campeonato de apenas um único esporte, porque diabos as Olimpíadas acontecem só numa cidade, e a Copa do Mundo num país inteiro? Não devia ser o contrário? Mas tudo bem. Isso é lá com os dirigentes esportivos, que entendem mais desses negócios que eu, então eles devem ter lá os seus motivos. Agora, o que tem me atormentado de verdade é esse friozinho na barriga que me dá toda hora que eu ouço alguém falar que em 2016 vai estar o mundo todo de olho no Brasil. Porque, convenhamos. Você acha que em pouco mais de seis anos, o Brasil vai mudar muita coisa? Você não acha que tem um bando de gente que já deve ter visto aí nesse negócio de Olimpíada uma baita de uma oportunidade de fazer seu pé de meia? Afinal, o orçamento previsto para os jogos, atualmente, já é de R$ 25,9 bilhões, com tendência a aumentar bastante conforme os cargos burocráticos comecem a ser distribuídos entre a parentaiada dos deputados e senadores. E isso sem contar o superfaturamento nas obras, as compras irregulares e os desvios de verbas. Bem, uma coisa não se pode negar sobre as Olimpíadas de 2016. Nunca houve, neste país, uma festa como essa!
Agora essa do Enem. Não dá para acreditar. Uma coisa que foi inventada para dar mais chances para os alunos mostrarem suas reais capacidades de enfrentar o mundo, que deve ter sido planejada para ensinar nossos jovens a vencerem grandes desafios. E a única coisa que o Enem acabou ensinando é que é muito mais fácil roubar a prova do que estudar para ela. Se bem que eu sempre achei esse negócio de medir a capacidade de um aluno por meio de uma prova uma coisa meio idiota. Você pode até medir, sei lá, o auto-controle dos alunos. Ou sua sorte para chutar melhor que o outro. Mas não sua inteligência real. Ainda mais quando eu soube que, esse ano, eles resolveram fazer uma prova de cinco horas e tanto. Mas isso é uma prova para medir a resistência física dos alunos, ou sua capacidade intelectual? Porque, faça-me o favor. Não existe alma nesse mundo que consiga passar cinco horas em cima de uma prova, respondendo coisas tão diferentes como a fórmula química do cianureto de potássio e em que ano o Napoleão foi derrotado. Mas, tudo bem. Agora não também adianta mais pensar em mudanças. Com esse rolo todo do roubo da prova, pode esquecer o Enem e começar a pensar em outra coisa. Porque não vai ter um aluno que se dê mal na prova que não vai virar para os pais e dizer: - É sacanagem, no Brasil só os filhinhos de papai é que se dão bem... - E quem é que vai ter coragem de dizer para eles que é mentira?
Se tem uma coisa que eu não aguento mais é essa mania que as pessoas tem de tentarem ensinar para a gente como é que se faz algumas coisas. Tudo bem se fossem coisas dificílimas de fazer. Mas não. Elas gostam de dar palpite em coisas que nossos antepassados já faziam há centenas de anos, sem os recursos que temos hoje em dia e, especialmente, sem a ajuda de ninguém. E eles se metem em tudo. Já falei aqui, outro dia, daqueles psicólogos que agora querem me explicar como é que se cuida das crianças. Que, se a criança cair e começar a chorar, a gente não deve ir lá ajudar porque, senão, toda a vez que ela cair na vida, vai ficar esperando ajuda em vez de se virar sozinha. Então tá que, ao ver meu neto cair no chão e começar a chorar, eu vou deixar ele lá, todo esfolado. Isso é conversa mole. E eu aposto que nem a tonta da psicóloga faz isso, a menos que ela seja uma espécie de psicopata masoquista. Agora, outro dia desses, eu vi uma propaganda do governo federal ensinando a gente a fazer xixi durante o banho. Que, fazendo assim, a gente economiza água da descarga e tudo o mais. Eu vou te falar uma coisa. Eu fico até estupefato com a prodigiosidade desses caras. Depois de tantos anos ali, passando vontade debaixo do chuveiro, eles descobriram que a gente pode fazer xixi durante o banho! Mas como é que eu nunca pensei nisso antes, meu deus do céu!

Eu acho engraçado como esse pessoal da TV Globo ficou todo escandalizado com esse negócio do Nelsinho Piquet ter batido o carro para ajudar a equipe dele a vencer uma corrida. Que aquilo era uma atitude antiesportiva e tudo o mais. Bem, em primeiro lugar, o automobilismo não é um esporte. Pelo menos, a Fórmula 1 não é. Se fosse, ela estaria nas Olimpíadas, não estaria? Além do mais, onde já se viu chamar de esporte uma coisa que a gente faz de carro? Quer dizer que se eu pegar meu carro e sair dirigindo em volta da Praça São Bento, eu posso dizer que estou fazendo um esporte? Não, a Fórmula 1 não é um esporte. Ela é um negócio, com horários exclusivos vendidos para as TV’s, contratos com os fabricantes de motores e, sobretudo, patrocinadores. É dinheiro para dar com pau. O piloto de Fórmula 1, com todos aqueles logotipos espalhados pelo macacão e pelo capacete, se parece mais com uma página de revista do que, propriamente, com um ser humano. Então, com essa grana toda envolvida, no meio de uma corrida, o Nelsinho Piquet fica sabendo que, se bater o carro sem oferecer perigo para ninguém, não apenas a equipe dele pode ganhar o campeonato como ele mesmo garante o emprego por mais uns tempos. Oras, o Ayrton Senna, aclamado como uns dos maiores heróis nacionais, fez muito pior quando jogou o Allan Prost para fora da pista para ganhar um campeonato. E o Schumacher fez a mesma coisa uns anos depois, quando bateu no carro do Damon Hill. Perto desses caras, o Nelsinho é um pobre coitado, que só seguiu as ordens do chefe. Esse escândalo todo que estão fazendo em torno desse caso é de uma hipocrisia sem tamanho. Se a TV Globo fizesse tanto barulho por causa de outros escândalos que a gente vê por aí, talvez o Brasil estivesse um pouco melhor das pernas.
Parabéns. Você, brasileiro, agora é o feliz proprietário de trinta e seis moderníssimos caças de combate, cinquenta helicópteros, quatro submarinos último tipo, além de um super-hiper-submarino nuclear que transformará o Brasil no sexto país do mundo a possuir tal aparato, juntando-se ao seleto grupo de EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha e França. E tudo isso pela bagatela de 32 bilhões de dólares. E eu digo uma bagatela porque a quantia, embora exorbitante, não corresponde nem ao que os Estados Unidos gastam com armamentos em apenas 10 dias. Mas o fato dos Estados Unidos gastarem tanto com guerras só fortalece a minha tese de que a raça humana está emburrecendo cada vez mais, a cada dia que passa, em todas as áreas e de todas as maneiras possíveis e imagináveis. Especialmente quando se trata de Brasil. Vamos pensar, por exemplo, nos nossos gastos com a educação. Você sabia que o Brasil gasta menos com educação do que o Paraguai? Não sabia, não é? No entanto, quando se trata de submarinos nucleares, nós estamos ali, páreo a páreo com todas as grandes potências do planeta. E os gastos com o Bolsa Família, então? Todo mundo vive metendo o pau no Bolsa Família, dizendo que é um sistema eleitoreiro, que só serve para manter a popularidade do Lula, e tudo o mais. Pois os gastos com o Bolsa Família, embora bastante altos, não passaram de R$ 11 bilhões em 2008, e mesmo os maiores inimigos do Lula chegaram ao consenso de que o programa conseguiu amenizar bastante o problema da pobreza no país. Agora, o que seria considerado um sucesso para um programa militar que comprou trinta e seis caças, cinquenta helicópteros e moderníssimos submarinos? Sei lá. Eu estou começando a achar que o Brasil não se contenta mais em apenas ganhar da Argentina no futebol. Eu acho que eles estão querendo é a invasão total!
O Mestre Shao conversava com seu pequeno discípulo, que o escutava atentamente. "Os seres humanos devem seguir seus instintos.", o mestre dizia. "Pense nisso em sua próxima meditação.". Ao perceber que Mestre Shao se afastava, Mestre Li aproximou-se do pequeno discípulo e contou-lhe essa fábula:
"Nas planícies, durante o inverno, os campos são cobertos pela neve e toda pastagem congela. Os Grandes Veados Selvagens, no entanto, não morrem de fome. Eles despertam pela manhã e saem caminhando pelas pradarias, todas tão idênticas em sua brancura. E, de repente, num local que em nada se diferencia de tantos outros, ele começa a cavar desesperadamente. Como que por milagre, seu INSTINTO de sobrevivência fez com que ele encontrasse, ali embaixo, sob um metro de neve, o alimento tão raro e tão escasso. Ao mesmo tempo, numa vila próxima de Pequim, um homem solitário desperta logo depois do amanhecer. E, exatamente como em todos os outros dias do ano, faz sua higiene pessoal, toma um rápido chá e sai para o trabalho, no qual cumpre suas rotinas diárias. Ao retornar para a casa, porém, pára numa esquina. Como que tomado por um antigo INSTINTO, toma um caminho totalmente diferente daquele que sempre tomava. Aguardando o sinal se abrir numa esquina de grande movimento, o homem percebe uma linda moça, fitando-o e sorrindo timidamente. Ele sorri também. O sinal se abre e ambos caminham em direção ao outro. Neste instante, um ônibus sem freio atropela os dois, que morrem ali mesmo, estirados no asfalto.
Moral da história. Nunca siga seus instintos. Isso é coisa de veado."
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