Onde é que esses caras conseguem tempo para fazer tudo isso?

Tem uns caras que não dá para acreditar no tanto de coisa que eles fazem. Você lê a biografia deles, e os caras já fizeram de tudo na vida. Exemplo clássico é o de Leonardo da Vinci. O cara foi cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico. Ficou ainda conhecido como o precursor da aviação e da balística. E, como se não bastasse, o Leonardo não se limitou a apenas SER todas essas coisas. Não. Em todas essas áreas, o cara conseguiu fazer alguma descoberta revolucionária, que mudou para sempre a história da civilização. O cara foi mesmo um assombro, desses que aparecem uma vez na vida e outra na morte. Mas tem uns exemplos menores, e nem por isso dignos de menos assombro. Veja aí o caso do Jô Soares. O Jô já morou no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa. Morou uns tempos no hotel Copacabana Palace. Foi ator. Roteirista. Pintor. Como humorista, criou mais de cem personagens. Depois, começou a fazer programas de entrevistas, nos quais já recebeu mais de dez mil convidados. Já escreveu para jornais, compôs músicas. Criou e foi diretor de diversas peças de teatro. Publicou quatro ou cinco romances, todos eles best-sellers absolutos. E, além disso, arrumou tempo para aprender mais de sete línguas, e ainda para se casar três vezes (numa delas com a musa da sua época, a Silvia Bandeira). Pombas. Onde é que esses caras conseguem tempo para fazer tudo isso? Eu, da minha parte, sempre segui à risca tudo o que me disseram que um homem devia fazer, e desde os quinze anos trabalho minhas oito horas diárias. E, talvez por isso mesmo, nunca consegui aprender um inglês decente. Nunca passei nem em frente ao Copacabana Palace. E jamais arrumei tempo para fazer uma viagenzinha nem para a Argentina. Para casar três vezes, então, nem se eu vivesse duas vidas...

 

Até os efeitos especiais morrem

É um mundo esquisito esse em que a gente vive, desde que inventaram o cinema, a televisão e essas coisas todas. A gente acaba ficando íntimo de pessoas que a gente nunca conheceu. Algumas delas, aliás, nem gente são. São personagens. Eu me lembro de ter ficado morrendo de saudade, por exemplo, do Prefeito Odorico Paraguaçu, daquela novela “O Bem-Amado”, que depois virou série e ficou uns bons anos no ar. E, de repente, “O Bem-Amado” acabou. Tudo bem. O Paulo Gracindo ainda estava lá, fazendo outras novelas, assim como os outros atores da série. O Lima Duarte. O Jardel Filho. Mas não era a mesma coisa. Eu sentia saudade mesmo era dos personagens, e daquela cidade que eles viviam, como era o nome mesmo? Sucupira? E, do mesmo jeito do Odorico, outros personagens e atores foram entrando e sumindo da minha vida. O Fox Mulder, do “Arquivo X”. O Macgyver. E a família Robinson, do “Perdidos no Espaço”, junto com o Dr. Smith e aquele robô malucaço. Estou lembrando disso tudo, é claro, porque, nesta última quinta-feira, morreram o Michael Jackson e, meio que encoberta pela morte do “maior astro pop de todos os tempos”, também morreu a Farrah Fawcett, aquela loiraça que fez a primeira série “As Panteras” na TV. Não sei se você se lembra dela, mas eu já tive até um pôster daquele mulherão na parede do meu quarto, quando eu tinha aí, os meus dezesseis anos. E agora, puff, os dois morreram. E morreram de verdade. Se bem que a “verdade”, nesses nossos tempos, não significa muita coisa. Para ser sincero, houve uma época em que eu até duvidava que a Farrah Fawcett existisse. Eu imaginava que ela poderia ser assim, uma espécie de boneca inflável, animada por efeitos especiais.

Do Michael Jackson então, nem se fale.

deixem eles sozinhos

Eu não sei por que tem tanto jornalista atrás de político. Um político não pode sair de casa sem ser cercado por um monte de repórteres com microfones, blocos de notas e máquinas fotográficas. Pode reparar. Sempre que aparece um político, especialmente se for de deputado para cima, a gente sempre vê nas fotos ou nas imagens da TV aquele monte de mãos segurando aparelhos cheios de flashes e de fios coloridos. São eles, os jornalistas. Agora, convenhamos. Será que os políticos têm tanta coisa interessante assim para dizer? Vá lá que, de vez em quando, no meio de algum desses escândalos do Senado, seja até divertido ouvir mais uma desculpa esfarrapada do Sarney. Mas chega uma hora, o político - aliás como todo mundo - não deve ter o que dizer sobre assunto algum. Então, porque diabos aqueles repórteres não os deixam em paz? Eu acho até que, se fizéssemos isso, a coisa toda só tenderia a melhorar. A meu ver, todo político é um pop-star frustrado - à exceção, talvez, do Eduardo Suplicy, que já é um. Então, se virássemos as costas para eles, é muito provável que eles iriam tentar seguir alguma outra carreira, deixando a política para pessoas que gostam de trabalhar atrás de mesas e computadores, e não na frente de microfones e câmeras de TV. Pense bem comigo. Já imaginou a cara de desapontamento do Lula se, um dia, ele saísse pela rampa do Palácio do Planalto, com aquele terno último tipo, e não encontrasse um jornalistazinho sequer?  No mínimo, ia ser bem engraçado...

no próximo bloco

Tudo bem. Eu também não sei direito qual seria minha reação diante de uma tragédia como essa, do Airbus que caiu aí, no mar. Mas eu fico pensando nessas famílias acompanhando desesperadamente o resgate dos corpos pela Marinha. As famílias são levadas para o Recife e para São Paulo e para Fernando de Noronha, tudo acompanhado de perto por jornalistas falando baixinho suas reportagens, mostrando lá atrás aquela fila de gente chorando, entrando ou saindo de algum ônibus ou do IML.  Sei lá. Pra mim, isso parece um verdadeiro show de horrores, patrocinado, especialmente, pela imprensa. Como praticamente tudo hoje em dia, vende-se a tragédia como uma mercadoria. E o pior: uma mercadoria com prazo de validade praticamente esgotado. Precisa-se falar da tragédia enquanto está dando audiência. Enquanto ainda vende revistas e jornais. Ou enquanto o Brasil não for campeão da Copa das Confederações. É, porque, eu te falo uma coisa. Se tem uma coisa que me dá arrepios na espinha é quando, no Jornal Nacional, a Fátima Bernardes está ali, com aquele olhar tristonho, falando em sussurros sobre a última tragédia mundial, e, de repente, como num passe de mágica, ela se vira para outra câmera, sorri e diz que a seleção de Dunga ganhou de cinco de não sei quem, tudo isso para você, “no próximo bloco do Jornal Nacional”. Deus do céu! Se o Ronaldão e o Dunga gostam de aparecer para o grande público, vá lá, tem gosto para tudo. Mas colocar no mesmo nível de importância, e de maneira tão absolutamente calculada, famílias chorando suas perdas e a droga de um jogo de futebol, isso é mesmo a cara do homem moderno. Ou somos tratados como consumidores, ou como mercadorias.

o kung fu morreu

 

Quinta-feira passada, morreu o Kung Fu. Quer dizer, não morreu assim, a filosofia Kung Fu, que já tem aí mais de três mil anos de idade e não deve morrer tão cedo. Não. Quem morreu foi o ator David Carradine, famoso por seu papel na série de televisão chamada “Kung Fu”. Para quem não é daquela época, o ator também fez o papel de “Bill”, naqueles dois filmes “Kill Bill”, do Quentin Tarantino. Mas o papel que marcou mesmo o Carradine foi aquele Kung Fu. A série com o herói fez tanto sucesso que ele virou até um desses bonequinhos articulados, e foi por vários anos o brinquedo preferido da molecada. Sei que, com o tempo, estou vendo todos meus heróis morrendo que nem aqueles patinhos em barracas de tiro-ao-alvo dos parques de diversão. E, quando não morrem, resolvem fazer uma biografia contando a “verdade” por trás deles, o que, de certa maneira, é ainda pior. Foi assim que a gente ficou sabendo, por exemplo, que o Che Guevara não era tão herói assim, e que para mandar um inimigo para o fuzilamento não precisava muito mais do que uma pisada no seu pé. Ou até mesmo o Lula, que já esteve sim na minha lista de heróis, e que no final mostrou-se até um bom político, mas não muito mais do que isso. Até o Super-Homem, vejam vocês, morreu uma vez numa dessas histórias, mas houve tanta pressão por parte dos leitores que acabaram ressuscitando o cara. E fizeram muito bem.  Heróis não deviam morrer. A vida se torna meio insuportável sem eles.

 

criança é para mimar

Uma coisa que eu não suporto é quando aparece alguém dizendo que eu estou mimando muito o meu neto. E por que eu não haveria de mimar o meu neto? Criança foi feita exatamente para isso: para ser mimada. Dos sofrimentos, a vida se encarrega, oras. Agora, quando a gente está ali, com uma criança, tem é que relaxar, e fazer tudo o que ela quiser. Até mesmo porque eu não estou com a mínima vontade de que o meu neto se transforme num soldado, ou num robô. Tem uma coisa, por exemplo, que virou mania entre os pais e educadores modernos. É quando a criança cai. Volta e meia aparece um chato que, quando o meu neto leva um tombo, antes que eu me levante, ele pega e me segura pelo braço e diz:

- Deixa ele levantar sozinho. Assim ele aprende a não chorar por qualquer coisa.

Eu olho bem para a cara do sujeito. Puxo o meu braço, pego o meu neto e começo a balançar dizendo que "não foi nada, neném, não foi nada", exatamente como a minha mãe e o meu pai e a minha avó e a minha tia Concheta faziam comigo. Se você quer saber de uma coisa, para mim esses educadores modernos não entendem patavina nenhuma sobre crianças.

pé no chão

 

Não sei se você já assistiu, mas tem um programa da TV Cultura, que se chama Pé na Rua. Bem, na semana passada, o programa fez uma pesquisa com os jovens de São Paulo sobre o tema: o que é que você mais gosta de fazer. Chegava uma repórter e perguntava assim, para o primeiro cara ou garota que passava: - O que é que você mais gosta de fazer? Talvez eles esperassem respostas um pouco mais complexas, como ouvir música, ou ir no cinema. Ou até mesmo ler, quem sabe? Mas não. O que os jovens mais gostam de fazer, hoje em dia, é chegar em casa e... tirar o sapato. É, só isso mesmo. Simplesmente tirar o sapato. Tudo bem. Não foi uma pesquisa assim, dessas estatisticamente confiáveis, com dados quantitativos e tudo o mais. Mas, de uma maneira ou outra, a reportagem mostra que um bom bocado da nossa juventude não está nem aí para todas essas mordomias da vida moderna. E também não está tão a fim de freqüentar baladas e sair transando por aí, como imaginam seus pobres e temerosos pais. Não. Nada disso. O que eles mais gostam de fazer é uma coisa simples e barata, que a gente poderia fazer a qualquer hora, se quiséssemos, sem causar danos ao meio ambiente e sem custos adicionais: tirar os sapatos e ficar andando descalço pela casa. É uma coisa para se pensar. A gente vive aí, brigando com a vida, atrás de coisas que a gente nem tem certeza se quer mesmo, e de repente esquece de fazer aquelas coisas que realmente fazem a diferença. Como andar descalço, por exemplo.

mirem-se no exemplo dos homens de atenas

 

Por mais que a humanidade evolua, criando e descriando sistemas políticos ou de convivência social, ainda acho que a perfeição ficou mesmo lá, na antiga Grécia. A Grécia, como você deve se lembrar, era dividida em duas cidades estado, nas quais viviam dois tipos de seres completamente diferentes: os pensadores e os guerreiros. Os pensadores viviam em Atenas. Eles ficavam lá, pensando, o que era muito bom, porque alguém precisa pensar um pouco nesse mundão de meu deus. Eram escritores, arquitetos e escultores, entre eles Ésquilo, Sófocles, Eurípedes, Aristófanes, e também grandes filósofos, como Platão e Sócrates. Mas na Grécia, como em todo outro lugar, havia a necessidade também dos guerreiros. Eles viviam em Esparta. Lá, os meninos de sete anos de idade já entravam para uma tropa. Aos vinte, ingressavam no exército. E só saíam de lá quando chegassem aos 60. Agora, pensa aqui comigo. A construção de uma sociedade assim não causaria muito menos traumas do que do jeito que é hoje, misturando soldados e pensadores tudo num só lugar? Imagine a sensação de alívio que não iriam sentir os nossos pobres nerds, sem precisar jogar bola ou fazer atletismo. Seria o paraíso. E para os soldados então? Já imaginou, não precisar pensar durante o resto da sua vida, e ainda poder passar todo o seu tempo brigando e saqueando? Eu vou te falar uma coisa, viu... Na Grécia é que eles sabiam viver...

 

nem morto

No tempo dos índios é que era bom. O índio saía de casa, passava o dia inteiro caçando (coisa, aliás, que o meu avô fazia para se divertir), e quando voltava para a casa com um javali nos ombros, era saudado como herói. As mulheres faziam festa, os mais velhos já preparavam as bebidas, as indiazinhas vinham se chegando, e era uma noite só de comemoração. Depois disso, o índio podia passar aí uns bons dias sem fazer nada. E, ainda por cima, era cumprimentado com entusiasmo por todo lugar que fosse como o Grande Provedor da Tribo dos Homens, ou coisa parecida. Agora, veja só hoje em dia. Ninguém agradece nada do que a gente faz. A gente acorda de manhã e vai trabalhar na droga de um lugar mal arejado, encontra um monte de gente mal humorada, nunca dá tempo de fazer tudo o que tinha para fazer, a gente chega em casa completamente estressado, e alguém agradece a gente? Ninguém. E tem aqueles que, ainda por cima, dizem que a gente não fez mais do que a obrigação. Tudo bem. Até é obrigação mesmo. Mas não era obrigação para a droga do índio arrumar comida para o pessoal comer também? A verdade é que na hora de criticar, tá assim de gente. Mas na hora de fazer um elogiozinho, só se você tiver morrido. E olhe lá, hem?

atchim!

Antes de mais nada, eu sou jornalista. Entre todas as profissões que eu já trabalhei na vida, jornalismo foi a única que eu exerci ali, de papel passado, com diploma e tudo. E tem mais. Alguns dos meus maiores ídolos são jornalistas. O grande Hunter S.Thompson, que inventou o estilo gonzo de escrever reportagens, misturando ficção e realidade, e se matou com um tiro na cabeça, deixando um pedido para que suas cinzas fossem espalhadas por um tiro de canhão. Um grande cara. Outro jornalista que admiro muito é o Nelson Rodrigues. E tantos outros. O Machado de Assis. O Monteiro Lobato. Então, com tanta gente boa assim, o jornalismo é uma profissão que a gente tem de respeitar. Mas tem hora que fica difícil. Vejam vocês esse negócio aí, da Gripe Suína. Você pode ligar a televisão, em qualquer canal, que não passa nem dez minutos para algum jornalista começar a falar da Gripe Suína e a mostrar imagens dos mexicanos andando de máscaras pela cidade. E começam a passar tabelas dos sintomas, e das coisas que a gente tem que fazer para se proteger da doença, que está matando um atrás do outro, e já entrou nos Estados Unidos, na Europa e em praticamente todos os lugares do mundo. Quer dizer, a gente ouve esses jornalistas e realmente entra em pânico. Tem um amigo meu, dentista, que foi comprar dessas máscaras de colocar no rosto, como ele faz toda semana para exercer a profissão dele. E cadê as máscaras? Tinha esgotado! E isso aqui mesmo, em Votuporanga! Tudo bem. Eu até sei que esse negócio da gripe é coisa séria. Mas que tem hora que esse povo da imprensa exagera um pouco, isso exagera..

é pirata pra tudo que é lado

A Somália é um país africano. A Somália, como a maioria dos países africanos, é um país muito pobre. Para você ter uma idéia, em 1997 a fome atingiu cerca de 75% da população. Mesmo com essa tragédia toda, a Somália passaria praticamente despercebida do resto do mundo, se eles não resolvessem dar uma de pirata. É, pirata. Você deve ter ouvido por aí, em algum Jornal Nacional, no Fantástico, ou coisa que o valha. Os somális, que é como se chamam os caras que nascem na Somália, resolveram sair por aí, seqüestrando navios em alto mar, e pedindo resgates milionários pelos tripulantes. Então, em pleno século XXI, uma prática que parecia fadada a ser lembrada só em filmes, ressurge com força total. E isso tudo por quê? Porque ninguém dá a mínima para um monte de criancinhas morrendo de fome na África, mas morre de medo quando eles começam a mexer no seu bolso.

Corta e pulamos para a Suécia. Lá, estão sendo julgados os quatro donos do The Pirate Bay, o maior site de download de filmes e músicas da internet. Os acusadores dizem que o que eles fazem é pirataria. Os donos do The Pirate Bay dizem que quem rouba mesmo é a indústria cultural, que cobra um preço exorbitante por CD’s e DVD’s. Em primeira instância, os quatro fundadores do site foram condenados a um ano de prisão e ao pagamento de R$ 7,7 milhões para as empresas donas dos filmes e das músicas. E isso tudo por quê? Porque um bando de magnatas achava a internet muito legal, muito interessante, até a coisa começar a mexer no seu bolso.

No fundo, no fundo, a verdade é que tudo gira em torno da grana de uns velhotes que não entendem nada do que está acontecendo no mundo.

onde foram parar nossas bolsas?

Você pode não acreditar mas, antigamente, todo homem usava bolsa. E não faz muito tempo não. Isso é coisa de vinte, vinte e cinco anos atrás. Tinha os meio hippies, que usavam uma bolsa mais ousada, cheia de bottons escrito “Paz e Amor” e coisas parecidas. Mas nossos pais e avós também usavam bolsas. Eram bolsas mais sociais, de couro preto ou marrom, que brilhavam como sapatos recém-engraxados. Mas, o que todo mundo tinha em comum era que ninguém conseguia imaginar sua vida sem uma bolsa. A gente carregava nossa vida ali. Então, de repente, a moda das bolsas passou. Primeiro, viraram pochetes, dessas de amarrar na cinta. Depois, nem isso. As bolsas evaporaram-se. E agora, eu me pergunto: e todas aquelas coisas que a gente carregava e que eram imprescindíveis para nossas vidas? Onde é que estão? Eu, da minha parte, não sinto falta alguma delas, e hoje passo muito bem apenas com uma carteira no bolso de trás da calça. Por causa disso tudo, andei pensando em todas essas tranqueiras que a gente acha que não dá para passar sem nos dias de hoje. Será que não dá mesmo? Será que não dá para viver sem um celular de última geração? Será que não dá para viver sem uma televisão LCD 42 polegadas? Será, meu deus do céu, que não dá para ficar sem internet banda larga por uns meses? Sei lá. Eu acho que a gente não precisa de tanta coisa assim. Como dizia um amigo meu, a gente nasceu pelado. Se estamos vestidos, já estamos no lucro.

 

me empresta o isqueiro

Essa semana, foi aprovada uma lei proibindo o cigarro em qualquer espaço público fechado do Estado de São Paulo. Antes, já era proibido fumar nas repartições públicas. Agora, com essa nova lei, não pode fumar também nem em pizzarias, restaurantes, bares ou coisas parecidas. Olha. Eu sei muito bem desses negócios de fumantes passivos e tudo o mais. E também não estou aqui pregando a favor do cigarro, que todo mundo sabe que dá câncer, impotência, asma, pneumonia, trombose e o escambal. Eu só não me conformo é com essa mania do Estado se meter em nossa vida. Tudo bem enquanto eles proibiam a gente de fumar nas repartições públicas. Esses lugares pertencem ao governo, e o dono do lugar tem todo o direito de deixar ou não que as pessoas fumem lá dentro. Mas acontece que agora eles estão proibindo as pessoas comuns de fazerem essa opção. Oras. O lugar é meu. Eu pago todos os impostos certinho. Quem é que o governo pensa que é para me proibir de receber quem eu bem entender, na MINHA própria casa? Se as pessoas fumam ou não fumam no meu restaurante, esse é um problema meu. Se minha clientela vai aumentar ou diminuir por causa disso, continua sendo um problema única e exclusivamente meu. Você pode até argumentar que eles só estão tentando preservar a saúde da população. Tudo bem. É um bom argumento. Mas na hora que eles começarem a proibir você de andar sozinho pelas ruas, porque andando sozinho você estará correndo risco de vida, eu não quero ver ninguém reclamando, ok?

Lula is The man

O Lula é "O" cara. O político mais popular do mundo. E, ainda por cima, é muito boa pinta. Tudo bem. Você pode não concordar com tudo isso. Deve até desconfiar que, quem fala uma bobagem dessas, deve estar querendo uma boquinha no governo, para ele mesmo, para um filho, ou até mesmo para a sogra ou o cunhado. Mas acontece que, quem disse isso do Lula, foi o Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, a maior potência mundial. E os parentes do Obama, muito provavelmente, ainda não estão precisando de um cargo na Petrobrás ou coisa que o valha. Então, por que diabos o Obama teria dito isso? Bem, entre as diversas hipóteses que imaginei para esse arroubo de elogios presidenciais, o que mais me pareceu provável é que o Obama, ao perceber a enrascada em que se meteu ao ganhar as eleições durante uma das maiores crises na economia mundial, esteja com planos de renunciar, pedir asilo político ao Brasil e fundar uma nova Escola de Samba, junto com o Carlinhos Brown e a Daniela Mercury. O próprio Lula já teria dado uma pista ao dizer que, "se encontrasse com o Obama na Bahia, diria que ele era um baiano", frase que a CIA deve estar investigando até agora, tentando saber se se tratava de um elogio ou não. Isso explicaria um monte de coisa estranha que vem acontecendo ultimamente, inclusive o fato da rainha da Inglaterra ter posado ao lado do Lula na foto oficial do encontro do G20. Parece que ela que ser a porta-bandeira.

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